Agricultura familiar: pauta para desenvolvimento local

A agricultura familiar não é só um dos principais meios de se estimular a geração de trabalho e renda em uma determinada região, mas, sobretudo, a chance de fazer com que os produtos gerados e a renda de sua comercialização fiquem efetivamente nos municípios produtores. Sem contar o fato de que, com esse tipo de prática, há a significativa melhora na qualidade e na segurança alimentar de forma geral.

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Uma das principais formas de incentivar a agricultura familiar é através de políticas públicas que estimulem o desenvolvimento rural e forneçam subsídios às famílias produtoras para que elas tenham meios de aprimorar seus processos e otimizar a entrega de seus produtos. Por desenvolvimento rural não podemos entender apenas expansão de terras e produção, mas um desenvolvimento ordenado e sustentável, que contribua para a diversidade da agricultura familiar, a redução das desigualdades e também o apoio à gestão e definição de escala da produção.

Sob esse aspecto é possível imaginar que não é fácil atender às necessidades especificas de cada comunidade, qualificando tanto a produção das famílias agriculturas quanto melhorando a renda e geração de trabalho aos municípios, além da preocupação em envolver no processo diversos aspectos, como os sistemas de produção, a organização econômica e social, as práticas de comercialização e já citada e cada vez mais fundamental questão ambiental. Para isso, muitas vezes uma ótima saída encontrada é o auxílio à organização de grupos de interesse conjunto. Esses grupos, por sua vez, acabam dando origem a cooperativas e associações.

Um dos principais entraves para uma melhor representatividade da agricultura familiar esbarra em um outro tema importante, o empreendedorismo. O Brasil ainda é um país bastante conservador em termos de negócios, principalmente na educação dos jovens, então afasta as chances de um desenvolvimento mais acelerado. Com uma cultura avessa a riscos, é nítido que o país precisa de mais incentivo a essa postura empreendedora na juventude, mas também precisa de melhores políticas de acesso ao capital e às condições de mercado favoráveis.

E, em se tratando de juventude, é possível, com dados recentes, perceber o tamanho da importância que esse estrato social representa. Segundo a secretária nacional da Juventude, Severine Macedo, no Brasil existem cerca de 53 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, que constituem a maior parte da população economicamente ativa (PEA) do país, e o governo federal tem incentivado, por meio de capacitações e crédito, atividades produtivas de jovens no meio rural desenvolvidas por associações e cooperativas. A expectativa é que em 2012 sejam atendidos cerca de cinco mil jovens e que este número chegue a 50 mil em 2015. O número ainda é pequeno se comparado ao de jovens na contagem da PEA, mas é um começo.

Entretanto, de fato, a agricultura familiar tem uma grande representatividade para a produção de alimentos consumidos no mercado interno do Brasil. De acordo com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, a agricultura familiar é responsável por 70% de todos os alimentos consumidos por aqui, o que garante a segurança alimentar da população com a produção de alimentos mais saudáveis, uma melhor preservação do meio natural e incentiva a inclusão social.

 

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